terça-feira, 13 de setembro de 2011

SÍNDROME DA FAMÍLIA PEQUENA, OU: COMO SOFREM MINHAS NORAS

Sempre achei que a opção que fizemos por ter poucos filhos tivesse sido a melhor para sempre. Hoje já começo a questionar. Já chego a pensar que essa decisão foi a melhor para aquele momento da vida. Qualquer casal que pense minimamente no futuro de seus rebentos, pensava eu à época, não optará por mais de dois filhos. Com dois filhos pode-se apertando aqui e ali dar a eles todo o suporte para que se formassem em todos os sentidos.

Alguns poderão afirmar que, se é assim, porque não apenas um? Seria mais fácil ainda, se o problema for garantir uma formação exitosa. Para mim, a resposta a essa afirmação é um sonoro não. Entretanto, a explicação não é simples. Envolve tantos fatores que é complexo explicar demais porque se deve ter dois filhos e não um.

Mas, retornando, nesta fase da minha vida questiono imensamente a opção que fiz lá atrás, de ter apenas dois filhos. Nada assim, que possa se mostrar algum problema intransponível. Na verdade, a desvantagem grande daquela decisão, quem está provando são as meninas que decidiram casar com meus filhos.

Hoje me pego pensando como as minhas noras teriam mais sossego se não fossem apenas duas. Como são poucas, tem que suportar uma carga maior de sogro carente. Enquanto os netos não nascem, até que não deve ser muito difícil a missão. Mas a coisa pega quando os netos chegam. Aí a carência do sogro aflora e haja paciência das noras para agüentar um velho babão, achando que é o melhor avô do mundo e, quase sempre, perturbando a nora de forma tão intensamente sufocante que, imagino, só com muita paciência é possível suportar.

Deus, dê paciência às minhas noras, para que elas não percam a paciência comigo.

sábado, 10 de setembro de 2011

AS PIPOCAS DA VIDA

Sempre que vejo um trio elétrico e observo a pipoca sou arremessado a algumas lembranças da minha infância. Na pipoca dos trios elétricos, normalmente ficam as pessoas que não podem pagar pelo abadá e ficam ali meio que participando da festa, vendo tudo o que acontece, mas não aproveita como as outras pessoas.

Na minha infância, me lembro grandes quermesses que as igrejas faziam, onde a atração principal eram os leilões de frango assado. Quando alguém arrematava a mesa toda saboreava aquele galináceo recheado com uma farofa. A gente, sem dinheiro para comer ou beber alguma coisa, ficava ali na pipoca observando tudo, meio que participando da festa, mas sem aproveitar nada.

O “must” acontecia no final da quermesse e aquilo vinha como se fosse uma recompensa por esperar tanto. Quanta farofa de frango se conseguia sobre as mesas vazias. Com um pouco de sorte se conseguia também alguma garrafa de refrigerante com um pouco de líquido dentro. Aquilo era o máximo. Nessas ocasiões eu me sentia um privilegiado. Quanto privilégio poder, de vez em quando, ingerir alguma coisa diferente de arroz e água. Se não conseguisse aquelas sobras, tudo bem também. Não tinha problema. Aquela concessão era um “plus” que aparecia de vez em quando. O normal da vida não era daquele jeito. O normal era viver sem aquelas sobras.

Pois é, há um tempo na nossa vida que nos contentando com pouco. Até com migalhas, às vezes. Depois o tempo passa e a gente se esquece que pouca coisa já bastou pra gente ser feliz.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

NOSTALGIA

Ontem, um feriado perdido no meio da semana, fiquei a manhã toda morgando e aproveitei para rever algumas recordações do passado: fotos, músicas e lembranças que estavam lá no escondidinho do meu pensamento.

O início de tudo foi quando estava revisando um livro de cantos e passei sobre a música “Pai”, do Fábio Junior. Enquanto ajeitava esta música na página do livro de cantos, coloquei-a para tocar no WMP. Essa música me levou a lembrar do meu pai, revi algumas fotografias antigas e me lembrei que tinha uma gravação dele cantando. Meu pai, apesar de analfabeto, cantava em um coral da igreja que ele freqüentava e um dia eles resolveram gravar três músicas e uma delas tem um solo que é feito pelo meu pai que era tenor. Há algum tempo eu peguei a fita e pedi para converter e agora as tenho em mp3. Ontem, então peguei esta versão e ouvi algumas vezes.

Como é bom ouvir uma pessoa tão cara pra gente. Já que estava no baú da saudade repassei vista em algumas fotos antigas, que também tenho no computador, já que escaneei todas as fotos que tinha em papel. Foi uma overdose de recordações, mas foi também um pouco dolorido.

Acho que ando com a sensibilidade à flor da pele e percebi ontem, coisas que não havia percebido nesses anos todos. Percebei, por exemplo, que tenho poucas fotografias do meu pai, mas a percepção que calou fundo foi a de que jamais tirei uma fotografia com ele. Percebi também que não tenho nenhuma fotografia de meus filhos com meu pai. Continuei nessa sessão nostalgia um pouco dolorida e, embora tenha recordações maravilhosas dele e até hoje sorver seus ensinamentos, me dei conta de que ele se foi em 15/09/1987, sem que eu tivesse a chance de saber se eu o magoei alguma vez e ter a chance de corrigir isso.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

COMO LIDAR COM O CIÚME DOS NETOS

Lógico que lidar com o ciúme dos netos é uma função bem mais complicada para os pais do que para os avós. Entretanto, quando nasce o segundo neto, os avós têm a obrigação de lidar com esta situação de forma a causar o menor estrago possível. Não é fácil. Assim como não são fáceis várias coisas em todos os relacionamentos. Mas é necessário se esforçar para não ferir o neto mais velho e, claro, não negligenciar o relacionamento com o neto novo.

Quando o Vítor nasceu já senti um pouco isso na pele (aqui). Mas naquela ocasião, por uma série de circunstância, achei o problema menor, dentre outras coisas porque a Lara tinha uma convivência menor com o Vítor. A minha convivência com a Lara também é menor, por motivos que não tenho controle. Mas com o nascimento do Lucas percebi que o problema é um pouco maior. De repente estava diante de uma situação estranha.

Evidentemente que é necessário não forçar a barra, o neto mais velho não pode ser forçado a aceitar o irmãozinho a qualquer custo. Isso pode funcionar ao contrário e aumentar a rejeição inicial, ao invés de diminuir. Por outro lado, fingir que não está acontecendo nada será tão prejudicial quanto forçar a barra, sobretudo a médio e longo prazo, pois, a curto prazo, o neto mais velho se sentirá confortável e continuará achando que nada vai mudar, que a atenção vai continuar exclusiva dele, que ele não irá precisar fazer nenhum sacrifício para conviver com o irmão novo, que viver em família não envolve nenhuma renúncia etc. Então, até didaticamente não se pode fingir que não está acontecendo nada.

Mas o que fazer? Mais uma vez, lá estão os avós, e os pais também, lógico, sobre a corda bamba. Andando sobre um fio de navalha, tomando um cuidado danado para não se machucar. Percorrendo uma linha muito tênue que separa um lado do outro e qualquer pisar em falso avança um ou outro campo minado.

Tenho tentado uma tática interessante para transitar por esses terrenos pantanosos. Decidi que, como antes, as visitas que faço à casa do meu neto continuam sendo visitas ao neto maior. Mas decidi também que meu neto maior deve saber também que tenho interesse em ter contato com o neto menor. Partindo dessas primícias, tento descobrir uma forma de passar esta mensagem ao neto maior. Dependendo da situação, uso formas diferentes de passar a mensagem.

A título de exemplo, noutro dia estava na casa dele e, num determinado momento, cochichei no ouvido do Vítor, o neto mais velho, que já estava indo embora e se ele podia me fazer o favor de me levar para ver o Lucas, o neto mais novo. Imediatamente ele deixou de fazer o que estava fazendo, me pegou pela mão e fomos em direção ao berço onde o Lucas estava. Lá ficamos um pouco, ele fez algum comentário, eu fiz outros. Logo o Vítor quis sair, eu o peguei no colo e cochichei no ouvido dele que estava muito agradecido por ele ter me levado para ver o irmãozinho e achava que o Lucas também estava satisfeito com isso. O Vítor saiu dali satisfeito de me fazer um favor, sabendo que eu tenho interesse no irmão dele também e, às vezes, ainda fica marcado em suas lembranças que ele está sendo o veículo condutor desse interesse meu pelo seu irmão.

Quem prestou atenção naquela cena talvez não tenha entendido nada. O menino brincando, de repente o avô cochicha alguma coisa em seu ouvido, o menino sai com avô em direção ao berço, depois volta e continua a brincar de jacaré com o avô como se nada tivesse acontecido. Mas, na minha avaliação, primeiro, ao cochichar no ouvido dele para pedir um favor, deixei ele muito à vontade para fazer ou não, que por sinal ele não tinha obrigação de fazer um favor a alguém. Por isso é que se pede o favor. Depois, ao pedir para ele me levar para ver seu irmão, mostra a ele, didaticamente, que eu quero estar com o irmão dele e com ele, e que, se ele quiser, poderá ser a ponte de ligação entre o avô “dele” e seu irmão. Por fim, ficar agradecido pelo favor que ele me fez e demonstrar isso efusivamente, lhe deu a recompensa pela atitude dele e deixam as portas abertas para fazer isso mais vezes.

Esse é só um exemplo, outros aconteceram e espero, sinceramente, que outros acontecerão. Espero não perder de vista que o bem-estar dos meus netos é a coisa mais importante a conquistar nos próximos anos da minha vida e para isso preciso me desdobrar a fim de descobrir formas de andar na corda bamba e não cair e tampouco ser empurrado dela.

Mas, de uma coisa todos podem estar certos. Quando a gente está com um neto no colo o tempo voa, a gente esquece qualquer problema, independente se esse neto está vidrado na televisão assistindo seu desenho preferido como a Lara ou o Vítor, ou se esse neto está ressonando feito um anjo, como o Lucas.

Ser avô é muito bom.

domingo, 4 de setembro de 2011

CONSELHO AOS AVÓS: DEVANEIOS, SONHOS, DESEJOS E FRUSTRAÇÕES

Já há muito tempo eu pensava em postar aqui alguns conselhos aos avós, mas sempre me faltou disposição. Agora, com o nascimento de mais um neto, imagino que é inadiável, pois é com a chegada de neto que os devaneios dos avôs afloram e podem levá-los, se não tomarem cuidados, a traumas terríveis.

Quando nascem os filhos a gente ousa sonhar uma série de coisas para eles. Ocorre que os sonhos que você tem para os filhos são um misto de bonança com bem-estar. Bonança, no sentido de o filho ser alguém bem sucedido na vida e que consiga ser um profissional de sucesso revertido em realização material e financeira. Já o bem-estar a gente coloca no patamar das realizações pessoais traduzida normalmente como felicidade.

Do alto desses sonhos a gente sai a tentar realizá-los. Muitas vezes de forma destrambelhada, dando, não muito raro, valor a coisas que de fato não tem. Mas, em nome dos sonhos, nos cegamos para muitas coisas e vamos levando a vida como se isso fosse tudo na vida. Enfim, conseguimos sobrepor a bonança ao bem-estar e, ao final, quase sempre, a frustração é meio generalizada, já que os pais nem sempre conseguem realizar todos os seus sonhos de bonança para os filhos e aos filhos não é dada a oportunidade de realizar os seus próprios sonhos.

Quando nascem os netos, as coisas são diferentes. Também existem os sonhos. E como existem! Entretanto, são sonhos diferentes. Você já não precisa sonhar em bonança, basta sonhar bem-estar. Então, é sobre o bem-estar que a gente sonha pra valer. Só que, também aqui, às vezes somos tentados a sonhar errado, pois nem sempre a gente sonha o bem-estar dos netos. De quando em vez nos vemos sonhando no bem-estar nosso e não dos netos.

Assim é, que se faz necessário esses conselhos. Tome alguns cuidados para não se machucar. É amargurante, mesmo nesta idade, descobrir-se frustrado com alguma coisa, mas a frustração pode ser grande ou pequena, dependendo de como você se prepara.

Quando você se sentir tentado a comprar um assento de criança para colocar em seu carro, pensando que a partir daquele momento você terá várias oportunidades de carregar seu neto no carro, pense direito. As oportunidades que você terá para transportar seu neto no seu carro serão tão pequenas que talvez não valha a pena ocupar uma vaga no banco de trás de seu carro com uma cadeirinha de bebê que será usada uma vez a cada dois ou três meses. É muito freqüente você encontrar essas cadeirinhas no porta-malas do carro dos avós.

Outra tentação que aparece, é imaginar uma reforma na casa, sobretudo em seu quarto para receber de vez em quando seu neto. Essa tentação acontece porque você imagina ser mais fácil as coisas já estarem mais ou menos arrumadas quando algum neto seu vier dormir em sua casa. Mas a experiência indica que é melhor deixar do jeito que está porque seu neto irá dormir tão pouco em sua casa, que é absolutamente suportável a cada dois ou três meses arrastar cama pra tudo que é lado para acomodar um colchão para algum neto dormir.

Não muito raro também, a gente flexibiliza todos os compromissos nossos com a vã esperança de que vai pintar uma oportunidade inesperada para estar junto de um neto seu. Infelizmente a esperança continua vã, pois na verdade dura e crua o inesperado nunca acontece. Então, quando você for tentado a flexibilizar seus compromissos para estar com seu neto, pense bem antes de fazer. E isso vale para tudo. Sabe aquele desejo seu de curtir uma missa junto com o seu neto. Esqueça. Mesmo que você passe a ir à missa em horário que seu neto pode ir, você não terá a companhia dele.

Todos esses devaneios que os avós têm, é imaginando o bem-estar deles e dos netos. Aquele bem-estar que se traduz em uma vivência saudável e uma aproximação profícua entre os dois. Lógico que não é só o neto que tem benefício nesta relação. Talvez até os avós tenham mais benefícios que os netos. Mas, em nenhum momento os avós pensam em bonança, já que isso deve ser sempre uma função dos pais. Mas os devaneios estão carregados de bem-estar.

Entretanto, infelizmente, os filhos, as filhas, as noras e os genros pensam diferente da gente e as coisas não acontecem da maneira como sonhamos. É lógico que eles têm as razões e os motivos deles. Mas isso não tira o nosso direito de espernear.

Além de espernear existem coisas que podemos fazer. Por exemplo: se nossos sonhos são no sentido de proporcionar um bem-estar para nós e nossos netos, então devemos aproveitar o escasso tempo que ficamos juntos deles para fazer esses momentos inesquecíveis para ambos. Nem sempre é fácil, nem sempre os pais deles entendem o que você pretende fazer, mas vale a pena tentar e é muito bom quando você percebe que pelo menos está no caminho certo.

A única coisa que não nos cabe fazer é agir de forma diferente daquela permitida pelos pais do seu neto. Isso, com certeza, só traria prejuízos aos netos e não garante que torne os avós felizes. Então, como último conselho de um avô que delira de vez em quando, é: apesar de, boa parte das vezes, você não concordar com o tipo de relação que seus filhos (filhos, filhas, noras e genros) querem impor a você e seus netos, nunca faça com seus netos alguma coisa que seus filhos não concordam. O resultado disso é uma relação harmônica entre você e seus filhos, que, em última análise se transforma em benefício aos netos que, afinal de contas, é o que todos queremos.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O LUCAS CHEGOU - BEM-VINDO LUCAS - POETICE

SEJA BEM VINDO, QUERIDO LUCAS
Saborosa espera aconteceu no contido espaço da esperança fluida
Saboroso sonho de realidade presente que o pensamento inflama
Saborosa certeza que embala a finitude da paternidade na inquieta chama
Saboroso gosto de vencimento que a graça do nascimento expande

O sonho sonhado de maternidade pura e de noviça alma
A realidade do sonho que outrora simples se complexa como tecido fino
O sonho real do acalanto imposto pela mão desgovernada do destino
A realidade do desejo santo comandando a mão firme que a torna calma

Quase no limiar de uma vida querida, desejada e pedida com mão ardente
Limitada pelo tempo que põe a prova o desejo abjeto e impuro
Eis que explode no amor que a sabedoria de uma mãe silente, esconde
É o nascimento de alguém sendo esperado com incontido afeto

Quando a presença tua se aproxima tal qual brisa que precede o vento
Fico apreensivo como a folha que tremula e ao final se alquebra
Mas a felicidade da certeza que o universo por ti celebra
Me acalma com um sopro que soa no fundo do âmago como alimento

Seja bem-vindo neto que ilumina e tanta luz que trazes ao mundo
Seu lugar sempre esteve guardado em nossos corações e mentes
Aqui receberás pra sempre carinho de pessoas de te querer somente
Que não se perca por aí e faça da vida um embriagar fecundo

sexta-feira, 22 de abril de 2011

MEU NETO DORMIU EM CASA ESSA NOITE

Depois de mais de dois anos, finalmente consegui realizar um grande sonho. O Vítor dormiu em casa pela primeira vêz. É indescritível a sensação de ver aquela coisinha fofa alí na caminha que armamos ao lado da nossa, dormindo como um anjo. Quando ele acordou de manhã, viu a avó e perguntou "Cadê o vovô?", foi o nirvana. Isso mostrou que ele gostou de estar conosco nesta noite. Esse dia (20/04/2011) ficará indelevelmente marcado em mim.

Sonhei tantos sonhos para o meu relacionamento com o meu neto, assim como esse, espero que outros se realizem.

Seja bem vindo meu neto querido, durma aqui em casa quantas vezes você quiser. Esse coração de vô sempre terá um cantinho para você dormir nele.


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

UM POUCO DA LARA

Essa menina é muito especial pra mim. Voltei de férias há duas semana e estava com muita saudade dela. Para matar a saudade a chamamos para que ela dormisse em casa naquela sexta-feira. Ela veio e foi possível fazer algumas observações importantes.

Primeiro é a constatação de como uma criança se desenvolve tão rapidamente dentro de um mês. Bastou ficarmos uns trinta e poucos dias longe para perceber o quanto a Lara mudou. Ela, não sei se é impressão de vô babão, ficou mais carinhosa. Mudou bem seu relacionamento com as pessoas. Ficou mais conversadeira. Já se comporta como se fosse uma mocinha. É lógico que em algumas coisas ainda demonstra que a criança continua lá, intocada. Mas, por exemplo, aquela pressa comum nas crianças está dando lugar a atitudes mais seguras e firmes. Outra observação possível, foi perceber que o amor entre avô e neta só fez foi aumentar e, suprema felicidade, parece que a recíproca é rigorosamente verdadeira.

Olhando essa menina crescendo assim, de repente, me lembro de quando me deitava na rede e fazia aquela coisinha pequenininha e branquela (que ainda é) dormir no meu peito. Foi a primeira pessoinha que me chamou de vovô (ninguém tem noção do que isso significa). No início ela não conseguia falar "vovô" e saía "dodô", mas e daí?

Tem uma música do Vínicius e do Toquinho chamada "Menininha". Sempre falo que é a música da Lara. Acho que ela ainda não entende porque chamo aquela música de "música da Lara". Mas é porque aquela letra reflete bem o que qualquer avô gostaria que acontecesse com a neta. Especialmente quando ele fala "Menininha não cresça mais não, fique pequinininha na minha canção". É assim que esse avô babão vai sempre lembrar da Lara. Embora esperando e torcendo muito para que ela cresça e se desenvolva e se torne uma pessoa adulta com a mesma índole que tem agora.

Que bom viver!!!

O VÍTOR FOI À ESCOLA

Esta semana aquele sujeitinho que balança meu coração deu mais um passo na construção de sua vida. Na segunda-feira ele iniciou sua vida de estudante. Pelas minhas contas essa sua vida de estudante deve durar mais uns vinte e dois anos. Mas é a vida.

Fiquei um pouco apreensivo com a reação dele diante da nova situação, mas pela informação de seus pais as coisas sairam melhor do que se esperava. Isso é muito bom. Espero que esta nova empreitada dele seja também motivo para que ele continue a ser a pessoa feliz que ele sempre foi.

A propósito, tenho costume de falar que o Vítor é "sangue bom". Não tem outra explicação para o estado de felicidade que esse rapazinho sente e faz a gente sentir quando estamos ao seu lado. Lógico que isso é uma mistura muito salutar da índole da criança com o tipo de formação que a criança está recebendo. Não bastava só o "sangue bom". Vemos muitos exemplos de pessoas "sangue bom" que se perderam na vida.

Por isso, não me canso de falar, que a suprema felicidade minha nesse departamento da vida é ter um neto como o Vítor e um pai e uma mãe do meu neto como o Fábio e a Ariane. Junta o "sangue bom" do Vítor com a competência dos pais na educação dele, não é possível dar em coisa diferente.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

O VÍTOR CONTINUA ME BALANÇANDO

Cada encontro meu com o Vítor se torna uma torrente de sensações que jamais havia sentido na vida. Esse sujeitinho continua balançando este avô babão. Aquele jeitinho dele de se encostar na gente, parece que tentando sentir o coração da gente pulsar, acaba por me deixar num estágio muito próximo ao nirvana. Nunca pude imaginar que uma pessoinha pudesse me causar tamanhas sensações.

A atividade preferida dele é assistir TV. Se deixar ele passa o dia todo vidrado nela. Dia desses cheguei em sua casa e fomos brincar no chão com a TV ligada. Brincamos um pouco, de repente começou a passar na TV algo que lhe chamou a atenção mais do que aquilo que estávamos brincando. Nesse momento ele foi se aproximando, deitou em meu colo com a cabeça em direção à TV e ficou alí por eternos cinco minutos. Como é bom sentir aquele coraçãozinho pulsando junto com o da gente. Que bom estar vivo!!!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

TERMINANDO A TEMPORADA DE PRAIA

Amanhã termina a temporada de praia. O balanço geral, não precisa nem dizer, foi excelente. Especialmente a convivência com meu neto. Quase tive a oportunidade de realizar um pequeno desejo com relação a ele.

Não vejo a hora de trazer esse sujeitinho para dormir uma noite em casa. Aqui na praia esse desejo quase foi realizado, ou melhor, foi realizado em parte. Na noite do dia de aniversário de meu filho eles saíram e deixaram o Vítor conosco, dormindo em nosso quarto da pousada, que de certa forma foi minha casa nesses dias.

Entretanto, como nem tudo é perfeito, quando eles chegaram da balada foram no nosso quarto buscá-lo e o desejo não se concretizou totalmente.

Mas foi um progresso grande. Um dia consigo o meu intento.

Essas férias estão realmente sendo maravilhosas. Amanhã estou indo embora da praia e ficarei mais 10 dias sem ver o neto. Isso deve aumentar a saudade e imagino como será o reencontro.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O TEMPO QUE SE GASTA COM AS ROSAS

Exupery, em seu célebre "O Pequeno Príncipe", disse "é o tempo que você passa cuidando de sua rosa que a faz importante". Essa frase é lapidar para as relações afetivas. Ontem tive uma experiência muito peculiar com meu neto que comprova essa frase em sua essência.

Primeiro devo confessar que estou realizando um grande sonho da minha vida. Estou na praia com o meu neto, junto mais pessoas, é claro. Pensei que esse momento fosse demorar muito mais do que demorou. Não por nada. Mas o fato de eu e meu neto morarmos em um Estado longe do mar, a possibilidade de estarmos juntos no litoral, só nas férias. Marcar férias juntos nunca foi fácil. Por isso eu sempre achei que eu e meu neto iríamos estar juntos na praia em algum momento, mas não antes dele completar dois anos. Aconteceu antes do que eu imaginava.

Mas, enfim, aconteceu, pra minha alegria. E ontem, no início da manhã, eu e meu neto fomos para a areia da praia e ficamos alí sentados, esperando que a água chegasse até nós. Quando a água chegava ele ficava todo encolhido e se agarrava no meu corpo. Depois foi ficando mais à vontade e fomos avançando. Sempre sentados na areia da praia.

Nunca pensei que sentar na areia da praia fosse tão gratificante assim. A partir de um determinado ponto, avançamos um pouco mais em direção à água e, sentados ainda, meu neto sentou na minha frente, com a cabeça encostada em meu peito. Ficamos alí por longos 10 minutos. Na sequência ele começou a brincar com a areia, sem desencostar de mim.

Por fim, ele foi se familiarizando com o mar e logo sugeri que entrássemos na água e ele topou de imediato. A partir desse momento foi uma festa prolongada de um neto, com um avô embriagado na sua tarefa de curtir absolutamente aquele pedacinho de gente que tanto encanta.

E tem gente que não acredita em Deus.

NETO NOVO NO PEDAÇO

Essas férias estão maravilhosas. Primeiro foi um giro pelo Paraná, onde encontramos os parentes e os ancestrais. Depois Arraial D'Ajuda. Aqui fomos super surpreendido com a notícia mais esperada nos últimos meses. A minha nora mais velha está grávida novamente. Eles guardaram a surpresa para nos dar na praia. Melhor momento não poderia ser.

domingo, 2 de janeiro de 2011

SEMPRE QUE VIAJO....

Sempre que viajo gosto muito de visitar os lugares para onde vou. Entretanto, não é fácil aguentar a saudade dos netos. Esses pequenos seres fazem muita falta em nossa vida. Seria muito interessante poder viajar e levá-los com a gente.

Felizmente daqui a sete dias vou me encontrar com o Vítor. Marcamos uns dias na praia junto com o resto da família. Mas fica faltando a Lara, que só verei quando voltar das férias.

A saudade é difícil...

terça-feira, 30 de novembro de 2010

SER AVÔ - PERMISSÕES E LIMITES

Sempre achei que teria muito prazer na experiência de ser avô. Mas, em hipótese alguma imaginei que seria do jeito que está sendo. É indescritível a sensação quando estamos ao lado de um neto ou neta.

Não consegui, por vários motivos, ter uma vivência com meus avós. Aliás, só conheci um dos quatro. Não sei também, se consegui propiciar uma vivência adequada de meus filhos com seus avós. Acho que não. Apesar disso, sempre pensei em uma relação diferente com os meus netos. Sempre pensei que iria ser para meus netos muito mais que um retrato na gaveta ou uma lembrança de infância. Imaginei ter com meus netos uma relação onde cada de nós teria uma importância muito grande na vida do outro. Mas sem dependência de qualquer tipo. Qualquer relação que cause dependência, não faz bem para as pessoas.

Até o momento parece que estou conseguindo levar as coisas da maneira que precisa. Parece que estou conseguindo sair do lugar comum e ser um avô um pouco diferente para meus netos. Isso tem me trazido grandes alegrias e uma felicidade enorme nos momentos em que estou longe deles.

Pode ser devaneio de avô, mas tenho a impressão que o meu relacionamento com os meus netos têm me devolvido uma reciprocidade ímpar. Sinto que não sou só eu que me alegro quando nos encontramos, eles também se apresentam nesses encontros com um brilho diferente em seus olhinhos. Isso é o máximo que qualquer avô pode esperar. É impagável, ver a festa que o Vítor faz, quando eu chego a sua casa para minhas visitas, clandestinas ou não. Também, não menos impagável é, quando decido pegar a Lara na escola, a reação dela de euforia demonstra que ela achou muito bom a gente estar lá.

Alguém pode perguntar como se consegue isso. Na minha opinião, existem duas maneiras para se chegar ao mesmo resultado. Uma, a mais fácil, é fazer todas as concessões. Ser um avô tradicional, daqueles que “os pais educam, os avós deseducam”. Esta forma com certeza encanta qualquer ser humano, imagine uma criança. Quem não gostaria de ter um avô permissivo, que não está preocupado com os limites? A tentação para ser assim é grande. É muito mais fácil dizer “sim” do que dizer “não” para uma criança.

A segunda maneira de atingir este objetivo é manter com a criança uma relação no mesmo nível que ela. Não existem previamente coisas proibidas de serem feitas. O que existem são os limites. Os avôs, e os adultos de um modo geral, deveriam sempre se preocupar com os limites, já que isso as crianças não têm. Para elas tudo é permitido. O papel dos adultos deveria ser apenas de orientar essa permissão que, em última análise, é colocar os limites necessários.

Mas a coisa pega exatamente quando é necessário determinar um limite. Jamais alguém poderia corrigir uma criança por seus medos e suas neuroses. Brigar com uma criança porque ela está se aproximando da janela do apartamento simplesmente porque sou acrofóbico é prestar um desserviço na formação da criança. Entretanto, é muito comum pais, avós, tios e adultos de um modo geral, que tenham alguma ascendência sobre a criança, achar que o limite da criança deve ser seus (dos adultos) medos. No caso da janela do apartamento, caso seja uma janela com grade, que é impossível da criança cair, por que brigar com a criança para se afastar? Ao invés de brigar, bastaria conversar. Isso é necessário porque dentro de sua ignorância, a criança não percebe se existe proteção ou não na janela. O ideal é fazer a criança evitar os perigos sem adquirir fobias. Às vezes nós adultos não conseguimos delimitar a fronteira entre impor limites e proibir a criança de viver.

Na minha relação com meus netos, procuro sempre buscar a tênue linha que separa os limites da proibição. Procuro não ultrapassar essa linha. Para ilustrar vou citar um exemplo.

Minha neta, já tem 5 anos. Quando ela tinha, mais ou menos 4 anos e meio, numa das noites que ela dormiu em casa, pediu para fazer algumas experiências no banheiro. Pegava creme dental, shampoo, sabonete líquido e outras coisas que deixo sobre a pia do banheiro, colocava tudo isso dentro de um copo misturava tudo, fazia espuma virava pra lá, pra cá. Via o efeito. Deixava sua experiência lá quietinha, assistia um pouco de TV, enquanto a mistura se assentava e assim passou mais de duas horas brincando de alquimista. Depois desse dia sempre que vem aqui pede para fazer experiência no banheiro.

Na primeira vez que minha neta me pediu para brincar do jeito que brincou nas experiências dela, fiquei em dúvida sobre deixar ou não. Nessas horas vem um monte de coisas na cabeça da gente. Muitas de ordem material. Algumas de ordem psicológicas. Vem a imagem da bagunça que o banheiro vai ficar, o desperdício de creme dental, sabonete, shampoo etc. Mas, algumas coisas nobres também nos vêm ao pensamento, como o perigo da criança engolir alguma coisa, por exemplo. A bagunça no banheiro é uma questão de esforço físico. O desperdício tem duas questões envolvidas: o gasto, que é desprezível, visto que qualquer outra atividade que uma criança exerce também envolve gasto. Mas tem também a questão de ensinar a criança a não desperdiçar qualquer coisa. Isso é fundamental para a formação de qualquer pessoa. Mas, será que sob a ótica da criança aquela experiência será considerada um desperdício de produtos, ou será considerada um caminhar para a descoberta de uma série de coisa e os produtos utilizadas foi simplesmente um meio para se atingir este objetivo?

Pesa pra cá, pesa pra lá, minha neta fez a experiência e a repete de vez em quando. Às vezes quando ela dorme em minha casa se lembra da experiência e pede para repeti-la. Lógico que deixo. Ela faz, depois de certo tempo, pede para tomar banho. Às vezes pede para levar a experiência pra terminar durante o banho, o que permitimos também. Ao final da noite dorme como um anjo feliz da vida, sem correr nenhum risco, descobrindo coisas maravilhosas em suas experiências e, penso eu, ela vai vivendo a vida. Sempre que vem à casa do avô, sabe que não existe nada proibido e sim limites a serem respeitados.

Não sei se conseguirei, mas tentarei ser um avô com essa visão, para ter com meus netos uma relação que ficará longe de ser uma lembrança na gaveta ou uma foto impressa na infância.

sábado, 23 de outubro de 2010

NETOS QUE FAZEM MUITA FALTA

Viajando esses dias, setindo muita saudade dos netos. Algumqs fotografias quebraram um pouco esse vazio que fica com a ausência.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

VIAGEM DE CORAÇÃO PARTIDO

Hoje estou viajando, mas estou viajando só com a metade do coração. A outra metade ficou junto com meus netos. Uma em Porto Velho e o outro também em viagem para alguma cidade do Nordeste. Quando viajava, sempre levava meu coração completo. Agora só viajo assim, vou, e metade do meu coração fica. Pode parecer loucura, mas gosto muito de viajar com o coração partido.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

PRIMEIRO POEMA PARA O VÍTOR

Na verdade este poema foi feito para a mãe do Vítor

UM ANJO GRÁVIDO
(Para Ariane)

Divina e bela és mãe
Sublime e pura és anjo
Passiva e calma espera
Transparente e lúcida ama

A mãe que existe em ti aflora
O anjo que tu és arvora
Nesta espera tu surpreendes
O amor de teus atos nos prende

A beleza de teu estado fascina
A pureza de tua parte apacenta
A calma em ti nos domina
A lucidez que tens acalenta

Divina beleza então vem
Pureza sublime então vive
Mansidão e calmaria então tem
Lucidez transparente nos faz bem

Nessa mágica atmosfera teu Vítor embalas
Na magia da espera tu deleitas
No milagre da vida, com Deus tens parceria
Na sapiência de teu ser, tu crias

Sê feliz, então, menina-mãe linda
Sê, então, menina e mãe feliz e linda
Sê menina, então mãe feliz e linda
Sê mãe, então, menina e feliz linda

terça-feira, 28 de setembro de 2010

TUDO VOLTOU AO NORMAL

Duas semanas se passaram sem que o almoço de sábado tivesse a concorrência dos meus dois netos (Vítor e Lara). É que já fazia duas semanas que a Lara não vinha almoçar com a gente.

Foram duas semanas em que só encontrava meus netos em separado. O Vítor de vez em quando e a Lara às terças-feiras. Foram duas semanas sem ter que administrar ciumeira de ambas as partes.

A Lara é mais direta, sente ciúme e demonstra. Algumas vezes até fala. O Vítor fica mais na dele, mas quando me vê dando atenção para a Lara me olha com aquele seu jeito de gaiato mais bonito do mundo, pedindo, pelo olhar, para eu dar atenção pra ele.

Lógico que tenho que administrar isso. Todos os sábados faço isso, com muito gosto inclusive. Quando os dois crescerem mais, verão que faço a eles tudo o que é possível fazer, sem preferência e sem privilégio. Um dia eles crescerão e entenderão isso.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

UM NETO PRA LÁ DE ABUSADO

Hoje fui passear com meu neto no shopping. Esse menino é abusado, sempre está feliz e com aquela cara de "vovô eu sou o menino mais feliz do mundo". Enquanto a gente vai deixando, ele vai se distraindo com as coisas que encontra pela frente. Dentro de uma loja parece pinto no lixo, não deixa de mexer em nada. A nós cabe seguir para não deixá-lo fazer coisas que não pode, ou não deixar ele mexer em coisas nas lojas onde isso não é permitido. Fora isso, é só caminhar atrás dele. Aquele pedacinho de gente nos conduzindo pelos caminhos de um shopping, e a gente seguindo aquele pedacinho de gente, como se seguisse um tesouro.